14 Nov 2008
Primeiras Revelações
Quando eu era adolescente, talvez 13 ou 14 anos... Tudo bem, recém saída da infância... Eu já era muito sapeca para minha idade.Aos 12 anos me mudei da capital do meu Estado para uma cidade do interior, onde para mim era quase como um fim de mundo, conhecida por todos os leitores do Melhor da Carolzinha como “lugar perto do nada”. Pois bem... Era quase isso, vinda da capital, da selva de pedras para um lugar onde o verde o cheiro de mato é quase inebriante eu deveria agradecer por estar resgatando a saúde dos meus pulmões, mas era quase como regredir um século.A cidadezinha é bonita, aconchegante mas parada no tempo, isso mesmo, totalmente parada no tempo. Enquanto as demais cidades ao seu redor evoluíam ela ficava ali, com algumas ruas e bifurcações asfaltadas e um ou outro loteamento irregular no meio do verde, aquele que está na nossa bandeira... enfim!Com 12 anos me mudei para este local e ainda não havia experimentado um beijo. Quando cheguei na escola e vi aquelas meninas todas maiores do que eu, que diga-se, sequer tinha menstruado, para verem a tragédia. Nem sei porque eu ainda respondi que sim quando fui questionada se já tinha ficado com alguém ou não. Na verdade ainda não, mas meu “sim” soou tão forte na minha mente que a palavra saiu boca a afora e eu fiquei pensando porque eu tinha dito aquilo, qual o problema em admitir que ainda não tinha ficado com ninguém?Passado o tempo fui me amigando com uma menina que era uma baita de uma cadela por assim dizer, dava de tudo quanto era jeito para tudo quanto era homem e vivia falando para nós, amigas dela, que era virgem. Só fui descobrir isso uns dois anos depois...Enfim, ela me convenceu a deixar de ser BV.Eu estava de olho num carinha da sala e com mais um amigo ela fez os “lados”. No final da aula nós esperamos todos saírem e ela e o cara ficaram na porta cuidando. Eu e o Fulano nos beijamos. Fui com sede ao pote, ele também. Aquilo que devia ser romântico foi frustrante e depois do primeiro e único beijo fomos todos para casa.Passei o dia pensando e quase me apaixonando pelo guri. No outro dia cheguei na escola e bomba: ele tinha contado para todo mundo. Ainda tinha dito que eu tinha beijado o nariz dele e logo o apelido de “engole nariz” foi me adicionado.Lembro de alguns garotos na sala falando isso de mim, rindo e dando a entender para as pessoas, que graças a Deus, na sua maioria não sabia, mas os poucos que sabiam já me deixavam nervosa pelos comentários.Para ajudar uma professora ainda implicou comigo, ficava fazendo caras e bocas para mim porque eu tinha vindo da capital e certa vez chegou a me humilhar diante de todos por conta disso. Eu era a mais novinha, a mais franzina de todas as meninas, e a mais taxada de galinha também. Os meninos se aproximavam de mim achando que eu era uma puta assim como minha amiga, que naquela época eu nem sonhava que era e talvez foi isso que revoltou a professora e ela me xingou daquele jeito. Eu devia ter levantado da classe e dito para ela que ou ela abaixava a crista comigo ou ela nunca mais colocaria os pés dela dentro de uma sala de aula, afinal o “ECA” me protegia e as acusações dela eram de certo modo infundadas. Mas aí que está... Ela falou aquilo para na frente de todo mundo sem nem ao menos se referir à minha pessoa ou citar meu nome.
Naquele dia eu senti muito raiva, como queria ter naquela época a mentalidade que tenho hoje e propagar a ela as mais “belas verdades” que uma professora como ela, que ainda pegava na mão dos alunos e batia com régua, poderia ouvir. Já se passaram quase 8 anos daquele tempo, isso mesmo foi em medos de 2001, se não me engano...

Sindicação
11/11/2008 @ 01:18:11
por Félix Corão